Toca-me a pele e fecha-me os poros contigo lá dentro.
5 de maio de 2013
4 de maio de 2013
(...)
...tudo o que eu gostaria de ter aqui está tão longe, não sei aonde, está longe o amor que às vezes esperava. E não virá...
Consolo a minha saudade com fotografias tuas. Mas sei que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto.
Envelhecemos separados, tenho pena, agora já é tarde, estou cansado demais para as alegrias dum reencontro. Não acredito na reconciliação ainda menos no sorriso que fizeste para as fotografias...
(...)
Al Berto, in Diários, edição Assírio, 2012
(Já eu, não me consolo com fotografias tuas, até porque nem as tenho, mas também não acredito em nada que venha de ti.)
(Já eu, não me consolo com fotografias tuas, até porque nem as tenho, mas também não acredito em nada que venha de ti.)
3 de maio de 2013
1 de maio de 2013
“Ao mesmo tempo que já não te amo não amo mais nada, só a ti, ainda.
Continua também esta exaltação que me vem por não saber o que fazer disto, deste conhecimento que tenho dos teus olhos, das imensidades que os teus olhos exploram, por não saber o que escrever sobre isso, o que dizer, e o que mostrar da sua insignificância original. Disso, sei apenas o seguinte: que já não posso fazer nada a não ser suportar esta exaltação a propósito de alguém que estava ali, de alguém que não sabia que vivia e de quem eu não sabia que vivia, de alguém que não sabia viver dizia-te eu, e de mim que o sabia e que não sabia que fazer disso, desse conhecimento da vida que ele vivia, e que também não sabia que fazer de mim.
É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.
Esta noite chove. Chove em volta da casa e sobre
o mar também. O filme vai ficar assim, como está. Não tenho mais imagens para
lhe dar. Já não sei onde estamos, em que fim de que amor, em que recomeço de
que outro amor, em que história nos perdemos. Sei apenas quanto ao filme.
Apenas quanto ao filme, sei, sei que nenhuma imagem mais poderia prolongá-lo.
Já não te amo como no
primeiro dia. Já não te amo. No entanto continuam em volta dos teus olhos,
sempre, estas imensidades que rodeiam o olhar e esta existência que te anima no
sono.
Continua também esta exaltação que me vem por não saber o que fazer disto, deste conhecimento que tenho dos teus olhos, das imensidades que os teus olhos exploram, por não saber o que escrever sobre isso, o que dizer, e o que mostrar da sua insignificância original. Disso, sei apenas o seguinte: que já não posso fazer nada a não ser suportar esta exaltação a propósito de alguém que estava ali, de alguém que não sabia que vivia e de quem eu não sabia que vivia, de alguém que não sabia viver dizia-te eu, e de mim que o sabia e que não sabia que fazer disso, desse conhecimento da vida que ele vivia, e que também não sabia que fazer de mim.
Estou num amor entre
viver e morrer. É através desta ausência do teu sentimento que reencontro a tua
qualidade, essa, precisamente, de me agradares. Penso que apenas me interessa
que a vida não te deixe, outra coisa não, o desenvolvimento da tua vida
deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a
morte mais próxima, mais admissível, sim, desejável.
É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.
E tu não sabes.”
Marguerite Duras, O Homem Atlântico
(É assim... E tu não sabes... Não sabes mesmo.)
(É assim... E tu não sabes... Não sabes mesmo.)
25 de abril de 2013
19 de abril de 2013
15 de abril de 2013
“Para te ver bastava fechar os olhos com força e eras outra vez tu, igual a ti própria. O abismo entre querer-te e ter-te afundava-me. A doce paz de te sonhar trazia consigo uma discórdia infinda, de mim para comigo. Não sabia onde estavas, com quem, de que maneira. É normal que já não se entendesse o que nos unia, se nem eu já era capaz desse esforço. O amor tornara-se uma forma de tortura recíproca.”
Pedro Paixão in Fatalidade, O mundo é tudo o que acontece
14 de abril de 2013

Para onde vais quando fechas os olhos? Quando descansas a cabeça em outras almofadas, deitado em outras camas, com outros lençóis a cobrirem-te o corpo.
Para onde vais quando fechas os olhos? Quando te abraçam outros braços e te beijam outros lábios.
Para onde vais quando fechas os olhos? Quando te abraçam outros braços e te beijam outros lábios.
Diz-me. Para onde vais? Em que pensas? Quando fechas os olhos?
Não, não me digas. Não quero saber. Não me interessa.
Sonhas? Viajas? Diz-me... ou fecha-me os olhos.
10 de abril de 2013

Calo cá dentro o que grito de boca fechada.
Amarro as letras uma a uma para que não me saiam disparadas e sem pedir licença.
Se me olharem nos olhos, vêem-nas amordaçadas. Querem sair e eu engulo-as, mais uma vez.
Não é difícil ler-me, não assim, quando me entupo de letras e palavras e pontuações e acentos.
Vejo-as desenhadas na pele. Provocam sulcos. Querem ar.
Toda eu sou frases, prosa, poema, verso... À espera de se cravarem em papel.
7 de abril de 2013
Cada vez que piso o caminho que te leva para fora, parece que o sentes.
Sinto no peito uma batida tão forte que me corta a respiração, tipo desfibrilador.
Quase diria que pensas que nos entretantos em que piso outro caminho, que morro, e que os teus choques me devolvem a vida ou a suposta lucidez.
Quase diria que me avisas a que não te esqueça.
Quase diria que assim me mantens tua sem, no entanto, me quereres.
Quase. Mas não digo.
Não te digo.
Que me bates no peito. Ainda.
6 de abril de 2013
"At the frontier of the skin no dogs patrol. That was it. At the frontier of the skin. Where I end and you begin. Where I cross from sin to sin. Abandon hope and enter in. And lose my soul. At the frontier of the skin no guards patrol.
At the frontier of the skin mad dogs patrol. At the frontier of the skin. Where they kill to keep you in. Where you must not slip your skin. Or change your role. You can't pass out I can't pass in. You must end as you begin. Or lose your soul. At the frontier of the skin armed guards patrol."
Salman Rushdie, The Ground Beneath Her Feet
27 de março de 2013
Diz que o Mundo é pequeno.
Diz que quem procura, acha.
Diz que quem espera sempre alcança.
É, diz que sim. E diz muito mais coisas.
Por vezes na pequenez do Mundo, nem uma girafa se encontra.
Se quem espera sempre alcança, porque razão haveria de procurar?
Ou se quem procura, acha, porque razão haveria de esperar?
Se fosse assim tão simples e eficaz, não haveriam metade dos poemas de amor e
eu, muito provavelmente, não estaria aqui a escrever parvoíces.
É, diz que sim, diz.
Diz que quem procura, acha.
Diz que quem espera sempre alcança.
É, diz que sim. E diz muito mais coisas.
Por vezes na pequenez do Mundo, nem uma girafa se encontra.
Se quem espera sempre alcança, porque razão haveria de procurar?
Ou se quem procura, acha, porque razão haveria de esperar?
Se fosse assim tão simples e eficaz, não haveriam metade dos poemas de amor e
eu, muito provavelmente, não estaria aqui a escrever parvoíces.
É, diz que sim, diz.
25 de março de 2013
Nos meus momentos mais quietos, bailas-me por entre os pensamentos.
São segundos em que te afasto com um abanar de cabeça e um retomar da realidade, como se me fosses viral.
São segundos que parecem horas, em que te vejo sorrir-me, em que rimos juntos, em que nos amamos, em que a tua mão está na minha e o meu espaço preenchido por ti e o teu por mim...
Segundos. E eu afasto-te. Ou tento. Pelo menos.
Não sei ver-te como realmente és. Vejo-te toldado pelo que sinto, pelo que me fizeste sentir.
Jamais te imaginaria assim... tão longe do que me foste.
23 de março de 2013
A linha com que me coseste perdeu a cor.
A pele que me coseste perdeu a linha.
As costuras perderam a pele.
A pele. As costuras. A linha.
Confundem-se. Num todo perdido.
É tudo pele. Cheiro. Toque. Som.
Gemido. Grito,
Luxúria. Desejo. Amor.
Tudo se confunde. Tudo num todo.
Eu. Tua.
Tu. Meu.
Perdidos no todo que se confunde com tudo.
Confundem-se. Num todo perdido.
É tudo pele. Cheiro. Toque. Som.
Gemido. Grito,
Luxúria. Desejo. Amor.
Tudo se confunde. Tudo num todo.
Eu. Tua.
Tu. Meu.
Perdidos no todo que se confunde com tudo.
19 de março de 2013
18 de março de 2013
"Quero que saibas
uma coisa.
Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.
Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.
Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.
Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.
Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus."
Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"
uma coisa.
Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.
Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.
Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.
Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.
Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus."
Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"
16 de março de 2013
"Through your lens the sequoia swallowed me
like a dryad. The camera flashed & forgot.
I, on the other hand, must practice my absent-
mindedness, memory being awkward as a touch
that goes unloved. Lately your eyes have shut
down to a shade more durable than skin's. I know you
love distance, how it smooths. You choose an aerial view,
the city angled to abstraction, while I go for the close
exposures: poorly-mounted countenances along Broadway,
the pigweed cracking each hardscrabble backlot.
It's a matter of perspective: yours is to love me
from a block away & mine is to praise the grain-
iness that weaves expressively: your face."
Alice Fulton, "Yours & Mine"
like a dryad. The camera flashed & forgot.
I, on the other hand, must practice my absent-
mindedness, memory being awkward as a touch
that goes unloved. Lately your eyes have shut
down to a shade more durable than skin's. I know you
love distance, how it smooths. You choose an aerial view,
the city angled to abstraction, while I go for the close
exposures: poorly-mounted countenances along Broadway,
the pigweed cracking each hardscrabble backlot.
It's a matter of perspective: yours is to love me
from a block away & mine is to praise the grain-
iness that weaves expressively: your face."
Alice Fulton, "Yours & Mine"
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